quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dia ficção i

Hoje eu acordei mais cedo do que nos outros dias, só porque tava na casa da G. Ainda bem! Pensei em mudar de vida, tomar suco verde, ioga de manhã e parar com esse negócio de dormir 10 horas por noite, tenho até vergonha de assumir!

Ficamos horas tomando vitamina e falando desse deslumbramento de novíssimo cinema brasileiro, de como as pessoas acham que significam algo e de como produzem uma estética do feio pra ficar bem na fita, sem nenhuma ideologia que se preze...

Saí correndo em busca do 170, que sempre demora horas, além do que esses ônibus me deixam terrivelmente enjoada. No trabalho tive a pretensão de tentar me concentrar pra escrever o projeto, mas é uma puta coisa difícil do caralho! O L. é fofo, a M. também, serviu massinha com carne moída. Fui ao banheiro três vezes, talvez pela vitamina com aveia e muita salada.

Depois fiquei pensando em sensações na vida, hoje tive algumas ruins, falei com papai e me deu vontade de chorar, porque senti na voz dele a tentativa de me dar atenção, de me acarinhar. Isso é estranho, porque ao invés de me deixar alegre, me faz chorar, parece que eles sentem que ando me distanciando e querem me prestigiar. Acho até merecido, justo, que o façam, eu mereço algo mais do que venho tendo em troca há algum tempo.

Passei no mercado pra comprar bombril e papel higiênico, acabei levando um vinho português incrível, Serras do sei lá que. Dali fui pra Sidha yoga, pro Satsang de 5a. Canto foi demais, minhas mãos soltavam muita energia e foi aí que pensei na emoção da questão com meu pai e chorei. A energia então se transformou e eu me senti com uma voz suave, sentindo a batida do mantra no meu ser, como isso faz bem, como traz uma alegria distinta e muito leve, suave e boa.

Depois vim andando, liguei pro C. pra dizer que eu não quero me locomover tão longe amanhã, vou ficar por aqui mesmo, quem sabe ele não vem no sábado?

Agora vou preparar minha agenda nova - de pessoa saudável que dorme menos e toma suco verde - usando lápis de cor!

quarta-feira, 23 de março de 2011

em busca de ar e de amor

como o inesperado me tomba e tira do prumo a crença em que mais confiava. o estômago sucumbe à dor que a tristeza traz, junto com o ar pesado que nunca antes havia sido respirado. os mau-entendidos podem dar cabo de um amor que promete muito, e preciso notar que faz parte da vida. são as loucuras da mente de cada um que não se juntam às da mente de cada outro, e por fim se chocam e se estilhaçam quando menos se espera. esperar mesmo eu nunca esperei. por um momento carrego toda a culpa do que fui, do que sou e do que não pude ser, será que um dia vou conseguir abarcar a lila que sente, que ama e que entende tudo? ou me resigno em aceitar a lila que trabalha, abstrai, erra e segue em frente?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

questões de cubas de pias

Pode parecer frescura, mas não suporto cuba de pia pequena.
Quando você precisa lavar o rosto a água cai toda fora do espaço micro compreendido por tal objeto. O que não entendo disso é quem foi o sujeito que decidiu que era moda e inculcou a idéia pra outros sujeitos criadores de tendências...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ao dentista, Toda ouvidos


Uma boa maneira de observar a cultura paulista é submeter-se aqui - em terras paulistanas - a uma cirurgia na gengiva a utilizar somente anestesia local, o que implica estar atento a escutar e sentir o entorno do consultório. 

Enquanto Dr. Rander e sua assistente, mais os papagaios de plantão, retiram um retalho do meu céu da boca - para em seguida enxertá-lo na gengiva inferior de minha boca aberta e cansada - escuto seus colegas a discutir pontos de seus respectivos futuros casamentos, e todas as dificuldades inerentes ao acontecimento, como encontrar uma data próxima na Igreja, fazer curso pra noivos, entender as mulheres e assim encontrar sua alma gêmea, etc. Acho estranho, afinal, quem tanto quer se casar hoje em dia?

Dr. Rander, utilizando bisturi, entra na conversa e confessa que para estar ao lado de sua amada faria um curso de dois anos - uma residência em casamento. No meio do papo ele retira a gordura do meu retalho de carne de céu da boca e inicia a sutura da gengiva, a manejar linha e agulha, que mais parece um mini-anzolzinho a flutuar por entre minhas carnes anestesiadas. sinto assim uns barulhinhos esquisitos que doeriam, o anzol cruza de fora pra dentro e vice-versa, causando uma aflição nauseabunda. 

Nesse interim, continuo escutando dos paulistas suas opiniões sobre as praias do verão, onde será que tem o melhor show, da claudia leite, e um mega aquário recém-reformado magnifíco. só não fui capaz de ouvir bem a que praia se referiam, mas supus que era a da baleia, no litoral santista, talvez a ideia do aquário gigante me tenha levado a ela. 

Pode no momento o leitor mais atento (o leitor zero, ou o menos um) estar se perguntando o porquê de tamanho sangue frio da narradora, mas já aí lhe explico, a fim de evitar mal-entendidos: acontece que já havia sofrido intervenção similar anteriormente, o que na ocasião me causou tremenda aflição - de modo que aqui o esforço em ater-me às conversas e a respirar fundo dominou meu ser, ou a agulha em forma de anzol teria sido capaz de me causar maiores ânsias e impedir-me de escutar os desejos mais sinceros de meus queridos doutores paulistas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

a lama, o poço e a aceitação do ser

Essa coisa de enjôo alheio é estranha, me surge um asco, sem alguma razão, ou a habitar tão obscuramente em meu ser que não a posso encontrar. Me sinto uma não-humanista, que devia amar o próximo sem ressalvas, sem críticas, dedicando-lhe todo o altruísmo de que tenha vazão. Como safar-se sem nódoas, sem retalhar-se?

Seria talvez aceitar o mundo sem querer conversa, aceitar a dor e o afastamento, o ciúme e a desilusão. Aceitar-se como se é, sem querer que ser amada se não pode trocar suficiente para tal.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

diálogo com ilusionista de 10 anos de idade

"- Viu quando ele entra no cinema e está passando o filme dele mesmo, o Mon oncle?
-Não era o Playtime?
-Era o Mon oncle, eu tenho todos, sei qual é qual.
-Ah, tá, diz a prima mais velha, abismada com as crianças atuais"

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

bobagens

pedro costa e geert mannaerts são meus dois ídolos.
interessante como todo o charme e talento vão pra duas pessoas e não se dividem por toda a humanidade..