sexta-feira, 12 de novembro de 2010

utopia

Eu quero um homem
que saiba lavar e cozinhar
estenda a roupa e prepare belo vatapá

Pense no cardápio e no lixo pra tirar,
cuide das crianças e me deixe passear...



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

idéias que vieram de uma vó para um filme pouco provável que exista

Casa da vó: apartamento de bom gosto, refinado.Quadros modernos e abajoures franceses. Compõe o ambiente um cabideiro, um carrinho de chá entre as poltronas da sala. Uma cômoda em que se vêem jogos de prataria e compotas de cristal. Livros de arte, um volume do Larousse e algo de literatura contemporânea ilustram o ambiente.

Seqüência 1

Menina entrando no elevador de prédio antigo, desses tombados. Encontra a vó a sua espera na porta de sua casa.

-Alô, querida.

-Oi, vó!

(PAUSA, SENTAM-SE)

-Parabéns pela nota da UERJ. Você está entre os 5% que tiraram A, eu vi ontem no jornal nacional.

-Ah, vó... Lá em casa ninguém liga pra isso não.

-No meu tempo não era assim, como sua mãe é. As pessoas se preocupavam com a educação dos filhos, se tiravam boas notas. Eu, por cada nota acima de 8, podia escolher 200 gramas de biscoitos da Colombo. Os casadinhos eram uma delícia. Meu pai me levava pessoalmente e me fazia escolher todos a que tinha direito. Quando terminei a faculdade, eu trabalhei sem precisar, porque uma moça deve saber das coisas, ser independente. Claro que me casei com seu avô e não trabalhei mais, ele era contra. Mas quando me separei foi importante ter alguma experiência, saber como era advogar. Meu pai foi muito legal porque ele sabia que algum dia poderíamos passar por alguma dificuldade e tínhamos que saber nos virar.

-Vó, mas e no tempo do Getúlio? Ele não era contra?

-Era, mas ele trabalhou no governo do Getúlio, com um cara duro que era o FULANO, mas aí, como ele queria sair, ele criou uma coisa chamada Delegacia do menor abandonado. Então, apresentou ao Getúlio o projeto e conseguiu ser transferido pra essa nova delegacia, pra implantá-la. Ele pôde sair desse trabalho com o...

sábado, 11 de setembro de 2010

observa

acolhida retorna à casa
quantas Inkerys e Marinhos ama

longe do turbilhão comungam
a couve, o almeirão, berinjela rompendo o fio
mostarda, ruculinha, terra vermelha

esterco que dá vida a chutney nos potes de maionese
ócio conciliador: mestres da montanha, respiram

sol, água e amor: disso vive o homem

ok, talvez uma horta

domingo, 30 de maio de 2010

adorosexoadoreosexo

arrependimento da honestidade: aperto dentro do peito, por que a paixão dói?
depois daquele dia de sexo prodigioso, supõe que o amor veio, cúmplice de um amor vazio.

segue o caminho e afirma: nada do que é dos outros lhe inspira confiança.

nada de respostas internáuticas, falta de carinho.
esse sexo tão curtido agora só dor e orgulho ferido

melhor só que mal acompanhada?
ela descobre que sim e isso rói.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

agruras

um arfar pesado, um andar pesado, que cansa
na luta do dia a busca por um respiro, uma paz

os ruídos da cidade e suas demandas tampouco me pertencem
há uma leve ironia em resistir, aqui, assim

o consumo e o estímulo, a nota, a luz, o som, o show
onde estará o eu?

pelo menos vem aí a copa e tudo isso se esvai
salve a seleção!

domingo, 23 de agosto de 2009

a roça e eu

Acabo de assistir ao filme Aquele querido mês de agosto, do português Miguel Gomes.
Que coisa incrível essa da forma do filme, da invenção da personagem em cima do universo das aldeias portuguesas. Senti como se fosse lá minha terra natal, a roça brasileira com suas sanfonas, pingas e modos de se expressar singulares.