terça-feira, 28 de junho de 2011

suflê de cenoura, farofa de alho e arroz integral,
pra acompanhar o feijão da teresinha, maravilha da sétima arte quase acima da estátua de padrinho ciço!

sabor que acaricia, beija na boca com a saliva mais doce da vida
podia rolar na grama agora, mas lá fora alguém ia achar estranho, por isso sigo atuando, nessa vida de moleque e tentando aceitar o jeito que há e que se há que estar, preparada pra vida.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

habita lá

quatro dias em bauru, vendo o tempo passar. tetris e auster; auster, tetris e água.
o periodontista a dizer:
placa pra dormir e escova com mais leveza, menina, não precisa força

quatro dias em bauru, assistindo o tempo, o passo alheio nesse fluxo incessante
jornal televisivo, e o animado esquilo com legendas portuguesas de portugal
as crianças rindo, e ela delas, com elas, e de como acham a vida linda

quatro dias em bauru, assistindo a chuva, que molha sem perdão a viajante confusa
no salão unissex mais antigo dali, um senhor abre a porta:
entra, menina, que vai cair a energia. e ela sente como um filme desses imprevisíveis, tanta água, tantas trilhas e escolhas indecididas.

quatro dias em bauru, e os cariocas.
deve ser maneiro, ficar com você, né, carioca? mas sabe o quê, sou é fluminense!
se lisonjeia ou avermelha? não lhe costuma passar isso assim tão diretamente.

quatro dias em bauru, tranquilizam.
mauricio e luis, o dente acariciado e dorme bem, seca e cuidada. passados 27 anos, pertence um pouco aí, os doutores, fissurados e crianças são também seu aconchego.


sábado, 4 de junho de 2011

segura a onda, mané

discussão com M. por culpa minha, pelo que não fiz e me comprometi a fazer, apesar de não levar isso como primordial.

batida de carro da D. prejuízo financeiro e moral. dia duro, realidades árduas.
enfrentamento das incapacidades minhas, tardiamente, equivocadamente.
depois da tempestade vem a bonança? ........................................................

homem que é bom, nenhum. carinho, cama, sexo, isso chega um dia?
pessimismo exacerbado e olho doendo de choro.

feijão na panela e arroz com gersal. dorme que amanhã é outro dia.
sente o sol entrar e pensa que deus está em você, como você.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tarefa com Maria:

1) V ou F

( ) Urubu é planta.
( ) Tia L. tem cachos.
( ) Dani toma café.
( ) A casa da L. e do A. é a 9.

2) Do que preciso para fazer uma bolha de sabão?

Inspiradora! Chá de hortelã, bolas que incham.
Amo partimpim! Amo o bateirista.

Insegurança, raro. Doído?
Aprender e dançar. Colher a vida num copo de suco de maracujá.
Pedalar é ritmo - corre, pára, olha, vira.




sábado, 28 de maio de 2011

Notações paternas

A menina pergunta se o pai desistiu de vender o carro, mesmo. Então por que é que o papel anunciando ainda continua colado ali, no vidro. Ele diz que mantém em todo caso para a polícia, quando perguntarem o motivo do atraso nos documentos, aí fica fácil: é a venda, meu senhor, já vou vendê-lo e o novo dono que o regularize..

O pai não é cantor profissional, toca seu cavaco em casa, com as cordas envelhecidas; confessa que o convidaram pra tocar uns sambas num encontro de intelectuais reformados. Ele ainda tentou fugir; é bem na hora do jogo do Barcelona e Manchester, meu caro companheiro. Nos tempos de hoje, você grava o jogo, G. E ele não teve jeito senão aceitar o convite. Contente, em todo caso, por saber da reprise no domingo; canto o samba e procuro não saber do resultado, isso sim.

Encontra-o na rua no centro da cidadezinha, ela sentada num quiosque de sorvete, toma uma água no canudinho. Ele vem com seu gorrinho de gnomo velho, torço pra fazer frio, ou preciso tirar o gorro e meu cabelo fica todo pra cima. E essa camisa branca, pai, toda mofada? Pois é, dormi com ela e nem notei que estava assim quando saí.

terça-feira, 24 de maio de 2011

a bonança após a tempestade

ela acorda melhor, se espanta! toma seu suco verde que não é tão verde assim e vai pra Ioga. lugar metido de gente esquisita, aula boa e ambiente tipo "somos ricos e não vivemos no Brasil".

abstraindo, anda pro trabalho se perguntando se está preparada a adentrar esse mundo pelo qual já teve tanta resistência. será real essa coisa da pessoa se vender assim, se prostituir quando se trata de ascender de classe? Quiça...

um dia lendo sobre transmidia storytelling e multiplataformas se redime quando ela vai ao edifício dos fundos procurar a causa de uma infiltração em sua parede. A síndica E. a leva num outro apartamento, onde aparentemente residem duas mulheres casadas e a mãe de uma delas - que deve ter alzheimer e fala bastante esquecendo as coisas pelo meio. Juntas, apreciam muros, canos e obras tentando descobrir qual será a parede dos fundos que bate com a da menina. todas elas são tão receptivas, leves e contentes que a fazem sentir-se num filme onde tudo é simples, cada personagem tem delineada sua atuação e a principal tarefa de viver sua vida simples e classemediana.

a cereja do bolo é quando o vizinho boa pinta chega e dá aquela olhada sensual pra menina de mochila e capacete de bike na mão. dia ganho, gente boa e vida pela frente é o que há!

segue pra falar com D. M. paga as contas e pega a escada emprestada, que amanhã vem a faxineira. liga a amiga e combinam de ir no show do portuga adorado aqui do lado.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Nunca sei pra que lado ir quando saio da minha estação de Metrô. Olho para os dois lados, leio as placas e depois de uns 1o segundos me decido e às vezes me arrependo.. será uma espécie de Alzheimer antecipado ou total falta de aptidão geográfica?

Hoje eu passei a maior friaca no trabalho, não sei porque mas tava congelante! Fui pro centro ver a abertura do A. e show do D. e P. Começou a me dar uma cólica estranha e resolvi ir embora. Aquelas guitarras estridentes chocavam com minha sensação corporal, mas a projeção tava linda, colorida, warhol.

Trouxe uma azaléia e uma plantinha tipo dessas que cai, lindinhas! Não sei o que me faz essa angústia e vontade de chorar. Depois de um mês de término de namoro, me bateu um blues forte, uma falta de ânimo, vontade de nada, insônia de noite e preguiça imensa de manhã. E não entendo como, não desejo isso, quero é alegria, serenidade. Parece que só agora meu corpo espiritual se entregou à tristeza, mas algum outro corpo não se entregará.

Cheguei em casa e vi que o A. tinha batido uma máquina com pouca roupa, e nem viu a minha, se tinha alguma. Me deu um arraso tão grande, chorei. É chato cuidar de alguém, de encher a máquina, administrar a casa e não receber nada em troca. Sei que ele é bem ocupado, mas é foda isso. Me senti super mal, tentando baixar a conta de luz ou tirando o lixo todo dia que passa o caminhão. Deu vontade de fazer uma reunião em casa e falar logo que eles tão se aproveitando de mim, da minha boa vontade e dificiculdade de impôr limites.

Ainda vi agora que a anterior mandou mensagem pro R. Dá vontade às vezes de ligar pra ele, não ligo porque me convenci de que ele não gostava mesmo de mim, só por isso. E a verdade dói e é cruel.

Tô me sentindo artista de novela, sofrendo igual um fdp, por algum NADA, nenhuma explicação que valha, nada em que se possa apoiar.