domingo, 1 de março de 2026

ineditismos

um encontro numa festa, parecia que ele dava em cima dela. disse que podia buscá-la no aeroporto quando chegasse de viagem. a conversa fluía bem e cheia de emojis e cuidados, animou a moça.

lancharam hamburger e noutro dia jantaram espeto, que é uma tradição local, a carne de vaca sempre presente nas mesas dos lares e comércios.  a impressão que tinha dele era de alguém titubeante, que se aproximava e se afastava numa espécie de dança confusa. sozinha e distante, a moça aceitou o bailado.

meia dúzia de vezes, ela enfim pergunta qual é a dele. mais uma vez nebuloso, diz estar avoado com problemas familiares e que a amizade dela era boa.

o mundo é assim, mira-se em algum que pode não calhar. não entende porque insiste já que é um caótico rapaz. nem tudo tem explicação. talvez o medo de rejeição a faça tentar ser amada, querida no espaço e local em que foi negada, insistir que é possível. 

ela se afasta, e em algum momento se reaproxima. ele investe mais pesado, sempre presente, atento, curioso e interessado. ela pensa que algo mudou, se equivoca.

fica pensando em quantos mundos existem, que situação curiosa e intrigante pela qual não havia passado antes. sempre há ineditismos prestes a eclodir em nossas vidas pacatas e mornas. 

 

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