domingo, 10 de maio de 2026

caos de quatro meses

estou aqui há 3 meses e as moças do ICMBio me chamaram pra sair e me incluiram no grupinho delas. fiquei animada com aquela sensação de pessoas da mesma tribo se encontrando.

ET nesse tempo e espaço, percebo que a minha configuração estética se parece mais com as pessoas do filme norueguês Valor sentimental do que com meus co-habitantes de Epitaciolândia, fisicamente tão próximos. 

procuro me manter flexível e aberta para o novo, mas há coisas que me incomodam e não se movem, como uma sensação atrasada de valores morais, machistas e preconceituosos, que permeia a sociedade local. 

talvez eu sempre tenha sido esquisita, mas aqui o adjetivo me persegue desde o que e como me alimento até como me locomovo e como penso politicamente. isso implica estar sempre neste lugar deslocado de forasteira, excêntrica e chocante. aos poucos percebo que isso cansa, desgasta não estar no seu lugar e sentir não ser compreendida o tempo todo.

enquanto isso vou me preparando para me tornar uma espécie de policial ambiental. me pergunto se estou batendo bem, que sentido tem nisso tudo, mas encontro algum. é preciso barrar a destruição da floresta, e se é esse o caminho, que seja, então, trilhado.

neste começo de curso ead pego chuva, vem uma gripe intensa e até tento cancelar o voo pro sudeste. já não dá. a viagem é tão cansativa que prenuncia os anos vindouros, entendo que é preciso tempo para descansar e é preciso menos deslocamentos, é preciso estar mais tempo no mesmo lugar e construir rotinas. quando volto pro acre retomo a vida na casa suíte-varanda e encontro alívio e prazer na rotina.

ainda que sempre tenha sido uma jovem-senhora, aos poucos me torno uma senhora-senhora. prefiro dormir cedo e acordar cedo com vigor, praticar yoga e sair com energia e alegria para o dia. como se isso valesse mais do que qualquer date, e já não bebo nem o pouco a que antes me dispunha.

o resumo é que foi até bom o sudeste mas é puxado demais: são paulo, penedo, santo antonio, penedo, são paulo. cancelo a ida ao rio e o encontro com tantas pessoas queridas. é assim a vida da trabalhadora aos 42. não reclamo pois vivi até aqui sem esse compromisso, mas também sem o salário.

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