objetos em ordem cronológica
1 a cama na qual durmo e me recosto para escrever e ver filmes, ontem um iraniano lindo que retratava a opressão familiar contra as mulheres e hoje um documentário que mostra a opressão russa atual, "escondida" do mundo. ou seja, o mundo é uma briga de jagunço como a que retratou Guimarães Rosa, e como bem leu o papai.
2 a geladeira que salvou a minha vida, embora eu nunca tenha reconhecido a importância desse objeto assim como agora o percebo, guarda todas as comidas, geladas ou não, e as mantêm relativamente a salvo do clima quente e úmido do Alto Acre;
3 a airfryer com a qual começo a me adaptar, só deveria ser autolimpante, me trabalho para lavar sem reclamar, só agradecer. me tornei uma daquelas pessoas exaustas dessa sociedade do cansaço, que ao invés de preparar o seu próprio leite de côco caseiro coloca um pão de queijo congelado na airfryer dando graças a deus que exista.
4 uma panela de arroz ganhada de amigos que sempre têm mil ideias e depois desistem, acumulando objetos desnecessários que em algum momento serão novamente úteis em casas alheias. e como as opiniões mudam, eu mesma não gostava dessa panela quando a tínhamos em casa, ficou para o vinicius de herança. já essa pequerrucha eu amo só pelo fato de que o cateto fica parecendo japonês e eu não preciso mais vigiar neuroticamente o fogareiro que queima rapidamente qualquer substância caso me distraia. e antes tinha a questão da presença do fogo, dos aprendizados do ayurveda. agora o que tá tendo é praticidade e conforto.
5 a panela de pressão elétrica que um amigo fez questão de me avisar estar disponível de um casal que vai se mudar e vendia a bom preço, ela em breve chegará.
dois não objetos concretos de tão vivos
6 a Barquinha roubou o meu coração exatamente 6 meses depois de colocar os pés no Acre, parecia esperar o momento certo e eu só posso agradecer por sentir esse amor da mesma forma como o senti no Ashram de Sri Sarada Devi, em Pune, em 2019.
7 um imenso alívio perceber que a suposta crise de labirintite é na verdade um uso excessivo de cbd, que ainda sim é mínimo, mas o mínimo para este corpo é máximo e gera muitas consequências. o fato é que depois de horas no posto de saúde eu pesquisei e sim, pessoas sensíveis podem sentir vertigem ao consumirem cbd, e logo fiz a conexão de algum excesso de vata que vem com essa substância que paradoxalmente relaxa, enquanto o vata é a ml por hora.
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